Anáfora

A Anáfora consiste em iniciar vários versos ou frases, ou sucessivos membros de frases por uma mesma palavra ou grupo de palavras.

“Somos (e eu, a partir de agora, por solidariedade e cumplicidade, incluo-me no paredão da artilharia) uma geração acomodada, pouco consciente, desconfiada e ingênua. Somos, enfim, tomados ora pela alienação, ora por uma indignação passiva, uma permissividade quase incompreensível que nos leva a DIZER sem FAZER. Somos alienados quando assistimos, boquiabertos e atônitos, a uma globalização que não compreendemos. A indignação passiva aparece, por sua vez, quando, consciente de que a corrupção existe, criticamo-na, mas abstemo-nos do voto.” (FUVEST/1999)

Comparação e Metáfora

A comparação consiste em substituir uma palavra por outra, porque entre elas existe pelo menos um traço comum de significado, usando-se, para isso, um elemento comparativo explícito (como, tal qual, etc.).

A metáfora é uma comparação sem elemento comparativo explícito.

“E-books”, bibliotecas digitais, correio eletrônico, artigos científicos; o mundo digital mudou os conceitos de distância e tempo, trouxe informações novas, levou anônimos à celebridade, estimulou novos escritores. O acesso à informação nunca foi tão grande, a liberdade para mostrar a própria percepção do globo. Essa bela ferramenta que é o mundo digital precisa, porém, ser utilizada com cautela: há muita mentira, fanatismo, parcialidade. Por isso devemos ser cuidadosos no manejo da Internet e, jamais deixar de pensar, criticar. Não devemos ser simples esponjas que apenas absorvem a tudo, devemos ser questionadores seletivos, pesquisadores, verdadeiros filósofos do mundo moderno. Caso deixemos de pensar, reduzindo tudo à tábua rasa, “todos os mistérios do mundo poderiam ser respondidos em 2 folhas de papel impresso” e não há desenvolvimento.” (FUVEST/2008).

“A realidade contemporânea se depara a cada dia com uma nova invenção: computadores cibernéticos, descobertas grandiloqüentes, parafernalhas modernas. Invenções ultra-avançadas que estariam por extingüir tudo o que exalasse aromas fétidos do passado. Certo? Não, errado. Uma invenção como o rádio, vista pelos olhares do desenvolvimento como um tanto que ultrapassada, se redesenha e ganha novos contornos em pleno século XIX, sem perder sua onipotência e onipresença no cotidiano das pessoas. Somos verdadeiras “Macabéas”, que se encantam e surpreendem a cada voz vinda da “rádio-relógio”.” (UNICAMP/2005)

“A sociedade é fruto de uma evolução lenta da qual o homem é o único e principal agente. O tempo e seus diferentes conceitos acompanham essa evolução, podemos até afirmar metaforicamente, que o homem individualmente é um grão de areia na evolução da sociedade e o tempo é o responsável pelo acúmulo de areia – evolução – no fundo da ampulheta. Não podemos nos pautar em uma única concepção de tempo para vivermos. Devemos olhar para trás, no passado, e aprender com os erros e acertos de nossos antecessores para aproveitarmos o nosso tempo presente da melhor forma possível; mas sem nos esquecer de garantir a sobrevivência das futuras gerações.” (FUVEST/2004).

Gradação/Enumeração

A gradação consiste na apresentação de idéias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax). A enumeração consiste em uma técnica de escrita que justapõe palavras ou grupos de palavras, suprimindo ao máximo as partículas de ligação.

“Bem, é sabido que o homem (ou a “raça humana”, se preferem) desde sempre fumou, se drogou, se embriagou, sempre foi supersticioso, místico, exagerado, violento, brutal, letal, cientista, poeta, artista e sonhador – e tudo ao mesmo tempo. Tenho, por exemplo, dúvidas se o pai da ciência política foi mesmo Maquiavel, com O Príncipe, ou Macbeth, do mestre Shakespeare, consultando as feiticeiras para saber de seu destino como rei. Aliás, o próprio Maquiavel dizia que os homens são mais fiéis aos seus preconceitos do que aos seus princípios... A mente racional não tem esse poder todo que se imagina.” (Caros Amigos – agosto de 2003)

E ainda:

Enfim, as figuras são um caminho de estilo, mas lembre-se de que é preciso sempre ter bom senso. A redação no vestibular é uma prova cuja exigência é especificada pela proposta. As figuras (a criatividade, as analogias...) são um instrumento e não a finalidade.