Adeus à Terra do Nunca

Do clássico da Disney, Peter Pan é o menino que não cresce. Vive na Terra do Nunca com uma única preocupação: se divertir, se aventurar e aprender cada vez mais sobre o mundo em que vive. Diferentemente das crianças brasileiras, Pan não tem pressa (ou desejo) de se tornar adulto. O personagem é, portanto, o oposto dos pequenos brasileiros, que perdem a infância com o objetivo de amadurecerem o quanto antes e o mais rápido possível.

As crianças brasileiras são mais semelhantes às dos “Capitães da Areia” (Jorge Amado), que “cedo conhecem os mistérios do sexo” e procuram aparentar mais idade, como “miniadultos”. Contudo, elas não precisam ser abandonadas como os capitães foram para tanto: em suas próprias casas, frente à TV ou ao computador, são expostas à erotização e aos riscos de mostrarem-se através da internet, repetindo o que vêem e se colocando em perigosas situações de pedofilia. Peter Pan ficaria horrorizado com esta realidade.

É dever dos pais e da sociedade proteger as crianças brasileiras do abuso sexual, da perda da infância e do amadurecimento precoce. Por meio da fiscalização dos sites e programas aos quais os menores assistem é possível evitar que eles exibam, inconscientes dos riscos, suas vidas no mundo digital, já tão familiar a eles. É justamente por isso que os responsáveis devem se atentar mais aos pequenos: os meios de comunicação fazem parte da vida deles e, portanto, o uso cauteloso e moderado dos eletrônicos é a melhor saída neste Brasil tão conectado, em que 24% das crianças entre 5 e 9 anos têm seus próprios celulares (pesquisa TIC crianças 2010).

Até os Capitães da Areia aproveitaram algumas brincadeiras infantis, como no Carrossel. Atividades como esta, ao ar livre e com outras crianças, são fundamentais para o desenvolvimento infanto-juvenil, sendo uma fase primordial para todos os seres humanos. Portanto, devem ser incentivadas e ocupar o lugar dos programas de TV cujo público alvo é o adulto, sendo inadequados para os menores, que ainda não sabem distinguir a realidade e a ficção da mídia. Estas crianças precisam ser mais como o Peter Pan, antes que cheguem à idade adulta e desejem não terem se despedido tão cedo da Terra do Nunca.

Giovanna Sigrist
Criar Campinas