Aquilo que torna tudo mais precioso

Segundos, minutos, horas, dias... Este é o tempo, caracterizado por marcar a passagem "gradual" da nossa vida, mas que também representa a chegada do mais tímido e misterioso evento conhecido pelo homem: a morte. Mas como o decorrer dos fatos apresenta-se para o capitalismo? Não surpreendentemente, o Tempo e suas conseqüências são uma nova pasta de mercado, na tentativa de diminuir os efeitos Dele sobre nós, apesar da ideologia capitalista doutrinar o homem para que ele torne-se um escravo produtivo desse ente absoluto da atualidade.

Por meio do "Time is money", a humanidade guia-se segundo uma necessidade ilusória de sempre ser mais ativo, trabalhar mais e acumular mais riqueza, tudo isso com uma única finalidade: comprar mais e "viver" melhor. Entretanto, esse "viver" resume-se aos bens materiais dos quais somos donos, e essa é, claramente, uma forma de ser parte do sistema, de matar o tempo, mas não de vivê-lo. Isso é notado por Eça de Queirós em A cidade e as Serras, com o personagem Jacinto, a qual é o molde perfeito do capitalismo, sempre correndo contra o desejo do Tempo, sem aproveitá-lo, aparentemente.

Após uma mudança de cenário, longe da cidade, do lucro e da cobiça, Jacinto encontra, na simplicidade do campo, uma verdadeira utilidade para essa dádiva a qual nos comanda. O pensador Henry Bergson classifica o Tempo, como o vemos, como uma "ilusão" apesar das claras evidências de que ele é a única constante em nossa vida. Por conseguinte, essa constante não é uma ilusão, mas sim um "parâmetro", em vista da valorização a ele dada pelo homem no cenário capitalista da atualidade.

Conversas, sorrisos, abraços, lembranças... Assim deveria ser mensurado o deus da humanidade, pois é Ele que nos permite amadurecer e ver a beleza e a pureza do meio o qual nos cerca, assim como faz Jacinto, ao mudar-se para o campo. A materialização do mundo está enraizada nas novas gerações do século XXI, as quais preferem deixar o tempo passar a fazê-lo inesquecível, uma vez que ele é precioso demais, mas não deve ser usado una e exclusivamente na busca por bens materiais. Taxado erroneamente por Bergson como ilusório, o Tempo é responsável por tornar as experiências, os relacionamentos, os desencontros e a vida, como um todo, especial e preciosa, a ponto de ser o bem mais valioso em posse do homem.

Antônio Simei
Criar Franca