Instáveis

Aviões, canos, eletricidade, televisões. Objetos que mudaram o rumo da civilização humana. Não obstante, o desenvolvimento dos meios de comunicação foi o mais relevante deles. A tecnologia permitiu a interação de culturas, ou seja, estamos nos diversificando, certo? Não, errado! Expressões como a padronização global e a liquidez dos tempos tornaram-se recorrentes diante da instabilidade hodierna instaurada sobre todos.

Marshall Mcluhan, muito antes do advento da era da informação, já adiantou que nos tornaríamos uma "aldeia global". Logo, a partir do fácil acesso a notícias, modelos estéticos e comportamentos também foram ditados à maioria. Os pajés dessa aldeia detêm poder e conhecimento, e manipulam facilmente a massificada grande tribo que segue ignorante.

O sistema capitalista vigente exprime constante escassez de tempo. Nossos intereses são colocados acima de tudo, e assim, solidificou-e uma sociedade líquida, efêmera. O texto "A geração que trata tudo como descartável", de Ruth Manus, exemplifica a atemporal reificação dos seres, acentuada com o processo de globalização.

Consequentemente, pode-se afirmar que Mcluhan e Bauman antecipam conceitos verídicos. Não apenas o sistema econômico, como também a disputa por poder, fizeram grossar sobre a sociedade uma homogeneização de culturas, a fim de que os já ricos continuem a lucrar, e os já marginalizados, não fujam do ciclo exploratório. A descartabilidade de Manus continua a nos advertir sobre a liquidez dos tempos.

Maria Júlia Martins Machado
Criar Franca