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15 anos depois da fuvest
O primeiro colocado num dos mais disputados vestibulares do país -e que prestou um dos cursos mais concorridos- não trabalha hoje na profissão que escolheu quando entrou na faculdade, em 1995.

Nelson Russo Ferreira, 32, ex-aluno de engenharia de produção na Poli/USP, até fez estágio na área, mas se sentiu mais atraído pela profissão de consultor, que exerce até hoje, como sócio da Mckinsey. Assim como ele, a maioria dos primeiros colocados na Fuvest em 1995 mudou a sua área de atuação. Além de Ferreira, outras duas estrelas daquele vestibular -Érico Turri, 32, e Yassuki Takano, 32- tiveram consultorias como destino.

Eles ilustram uma época em que engenheiros eram disputados pelos setores de gestão e bancário -para onde foi outro aprovado entre os primeiros na Poli, Atílio Albiero, 32.

Superintendente da rede de agências do Itaú Unibanco, Albiero preferiu cursar o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), assim como Takano. Já os outros quatro primeiros colocados entrevistados ficaram com a vaga na USP.

Dos uspianos, poucos mantêm contato com colegas ou professores. Mas a maioria elogia a universidade.

Estefânia de Vasconcellos Guimarães, 33, experimentou dois opostos na USP. Fez um semestre na Poli, mas cansou de tentar entender as aulas e decidiu prestar publicidade. Passou em primeiro na área de humanas e percebeu que gostava mesmo de comunicação.

Trabalhou alguns anos com marketing, até descobrir que se interessava mais "pelo lado do receptor da mensagem, não do produtor". Seguiu então o caminho da psicologia, chegando ao pós-doutorado no exterior.

No caso de Érico Turri, a dúvida pela escolha da profissão também chegou cedo, antes do vestibular. Ele gostava de engenharia e psicologia, mas optou pela primeira. Cursou elétrica, mas, desde que se formou, trabalha em consultoria. Recentemente, abriu uma livraria em Guaxupé (MG), onde cresceu.

Assim como eles, muitos dos calouros recém-aprovados na Fuvest -que não divulga mais as colocações- também podem seguir um caminho que não seja diretamente ligado à graduação que escolheram, o que mostra que mudar de ideia não é o fim do mundo, é só parte da trajetória.

O único que não trocou de área após formado foi Ricardo Arnone, 33. Primeiro colocado na Faculdade de Medicina de SP, hoje ele é diretor de uma clínica de psiquiatria. Também foi o único que fez mais de um ano de cursinho antes de ser aprovado -foram dois, o que não é muito para medicina.

Apesar de excelentes alunos, nenhum deles gosta de bancar o estereótipo de nerd. Takano derruba essa imagem dizendo que o perfil das profissões escolhidas exige "grande dose de habilidades interpessoais".

"Isso quebra totalmente a imagem estereotipada de nerd, CDF ou geek que poderia ser facilmente atribuída aos alunos que se deram bem no vestibular: o sujeito introvertido e de poucos amigos."
Folha de S. Paulo
   
 

 

 
 
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