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Só metade de alunos conclui faculdade paga
Em 2006, aos 32 anos, o técnico de manutenção Carlos Fernando Candido decidiu que havia chegado o momento de realizar seu sonho de ter um diploma universitário. Dois anos depois de ingressar no curso de matemática na Faculdades COC, desistiu. "Vi que não era o que eu queria."

Pelo menos outros quatro estudantes, de cada dez que se matricularam em faculdades privadas na região de Ribeirão Preto, seguiram o mesmo caminho de Candido.

Segundo dados do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimento de Ensino Superior do Estado de São Paulo), a taxa de concluintes no ensino superior privado em 2008 na região administrativa de Ribeirão foi de 50%. Ou seja, de cada dez que entraram quatro anos antes, apenas metade se formou. Foi o menor índice em seis anos.

Na região administrativa de Franca, que engloba 27 cidades, o índice dos que completaram a faculdade no mesmo período foi bem maior: 70%.

De acordo com o diretor-executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, o maior desafio das instituições particulares, atualmente, é manter os alunos no curso. Nessa tarefa, diz Capelato, elas esbarram na falta de uma política sólida de financiamento aos estudantes e, em muitos casos, no despreparo dos alunos.

Para o especialista em educação da USP de Ribeirão Preto José Marcelino Rezende Pinto, além do financiamento, a falta de qualidade oferecida em muitas instituições "pesa" na desistência da faculdade. A dificuldade de aprendizado do aluno também pode contribuir para a desistência, diz ele.

Entre o obstáculo financeiro e o da qualidade oferecida pelas instituições, o diretor de ensino superior e pesquisa do SEB (Sistema Brasileiro de Ensino), Luiz Roberto Cury, diz que "qualidade é muito mais fundamental que o preço". Na Faculdades COC, controladas pelo SEB, o esforço para combater a evasão tem se concentrado em "encantar" os alunos, segundo Cury. Esse processo de encantamento, disse ele, passa pelo estímulo à iniciação científica, à pesquisa acadêmica e à prática de atividades culturais.

Maior instituição privada da região de Ribeirão, a Unaerp afirmou, por meio de sua assessoria, que combate a evasão por motivos financeiros oferecendo bolsas de estudo e mantém programas de reforço de conteúdo para estimular o aluno.
Folha de S. Paulo
   
 

 

 
 
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