Julho, finalmente, está aí. Para quem está em ano de vestibular, esses dias de folga são preciosos. Mas preciosos para quê? Para pôr a matéria em dia ou descansar?
A resposta a essa pergunta, infelizmente, não é fácil nem igual para todos os candidatos porque depende de alguns fatores, como a concorrência do curso pretendido e o domínio das matérias estudadas até aqui.
De acordo com Paulo Lima, coordenador pedagógico do CPV, o primeiro passo para definir a proporção entre estudo e lazer nas férias é fazer uma autoavaliação sobre seu desempenho desde o início do ano. Nesse ponto, contam agilidade para resolver exercícios, conhecimento das teorias das disciplinas e facilidade para a redação.
A intenção dessa análise é diagnosticar pontos fracos para saná-los nas férias, que devem ser encaradas como um período estratégico.
"Vestibular é como um jogo de dois tempos. Julho é o intervalo. No vestiário, o técnico tem que acertar o time para a equipe voltar com tudo e ganhar o jogo", brinca Miguel Arruda, coordenador do colégio Santo Américo, que orienta os alunos a não abandonar os estudos "para se manter aquecidos".
E, para não perder o ritmo, a dica de Lima é que o aluno que estiver em dia com a matéria divida seu tempo da seguinte forma: 1/3 para estudo e 2/3 para diversão.
Se as coisas não estão tão em ordem ou se o curso desejado é concorrido, o melhor é inverter essas proporções.
Patrícia Machado, 18, vestibulanda de farmácia que está em seu segundo ano de cursinho, já definiu sua tática. Vai estudar nas duas primeiras semanas das férias, descansará na terceira e voltará ao batente na quarta.
Já Juliana de Andrade, 18, que quer direito, pretende estudar só na última semana de férias, com ênfase em história e geografia, suas específicas. "Quero fazer uma revisão e, se der, adiantar um pouco da matéria."
A aluna pretende ainda aproveitar o tempo livre para se dedicar às obras da lista unificada de USP e Unicamp.
Daniel Grillo, 17, aluno do Augusto Laranja, também quer adiantar a leitura das obras literárias nas férias recém-começadas. O aluno, que passou na primeira fase como treineiro no ano passado para a Poli, na USP, levou para a fazenda de um amigo, onde passará alguns dias, "Vidas Secas" (Graciliano Ramos) e "Antologia Poética" (Vinicius de Moraes).
ORGANIZE-SE
Para os decididos a estudar nas férias, o Fovest apresenta, na página 6, um cronograma geral de estudos feito pelo CPV. Nele, há a indicação das matérias mais importantes do primeiro semestre, divididas por disciplina.
"O segredo é se planejar", diz 1º em relações internacionais
DE SÃO PAULO
Mais ou menos nesta época do ano passado, Carlos Eduardo Ramos, então com 17 anos, tinha um mês inteiro de férias pela frente e uma meta: passar no vestibular.
O curso, ele ainda não tinha certeza de qual seria. Pelo sim, pelo não, resolveu fazer um planejamento para o mês de julho que incluía todas as disciplinas. O foco de sua atenção ficou nos conteúdos a que tinha se dedicado pouco no 1º semestre.
Estudou na primeira semana "para aproveitar o embalo" e, na última, "para não perder o ritmo". Nas duas do meio, descansou.
Não que precisasse, disse, mas porque sabia que um tempinho de folga no meio do ano poderia ser crucial para seu desempenho no final.
No tempo que destinou a "tirar o vestibular da cabeça", leu muito, inclusive as obras de leitura obrigatória.
Funcionou. Carlos Eduardo prestou relações internacionais na USP e passou em primeiro. Com a credencial de quem adotou uma tática que deu certo, deixa a dica para quem está vivendo este momento: "Tem que se programar para estudar direito".
Tempo pode ser proveitoso para definir carreira
A angústia de não saber qual carreira seguir pode diminuir de tamanho durante as férias de julho.
Para tanto, dizem psicólogos, os alunos devem aproveitar este momento de descanso para reavaliar gostos e afinidades e procurar informações sobre os cursos. Afinal, setembro, o mês das inscrições, não tarda a chegar.
Segundo Laura Alberto, coordenadora do programa de orientação vocacional da Anhembi Morumbi, o aluno deve ficar atento para o fato de que o ritmo de estudo tende a se tornar mais intenso no final do ano, e os momentos de tranquilidade, mais raros.
"Quando o aluno voltar para o segundo semestre, ele não vai ter o tempo que tem nas férias para buscar informações", alerta.
Além de usar a internet como uma aliada para procurar informações práticas sobre as carreiras, a psicóloga sugere que o aluno use o tempo livre para olhar para si.
"Tem que aproveitar para pensar no que gosta de fazer, nas áreas em que tem interesse e aptidão."
Liliana Pereira, psicóloga especializada em educação, diz que, no mês de julho, o aluno indeciso pode tentar procurar profissionais que atuem nas áreas de interesse para conversar, sem pressão.
"É bom também se reunir com colegas que estão vivendo essa dúvida."
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