A Uniesp, grupo universitário que adquiriu a Faban de Ribeirão Preto em junho do ano passado, demitiu 41 professores, de um quadro de 73 docentes. O corte foi comunicado por telegrama.
A instituição confirmou as demissões e disse que elas ocorreram por um "realinhamento de custos".
A Folha apurou que a intenção da faculdade é recontratar professores, inclusive colocando anúncios em jornal, mas com salários bem menores.
O salário de um professor especialista de 24 aulas semanais, por exemplo, que era de R$ 1.800 deve cair para R$ 1.000. O salário de um mestre passaria de R$ 3.000 para R$ 1.800, e o de um doutor, de R$ 4.000, para R$ 2.800.
A demissão de professores não é exclusividade da Faban. Nos últimos anos, outras faculdades particulares da cidade já enxugaram o quadro de docentes.
Há dois anos, por exemplo, a Barão de Mauá iniciou um processo que chamou de readequação do quadro, que resultou em um enxugamento de 525 docentes para 480.
Segundo João Alberto Velloso, reitor na época, não foi um corte, mas uma forma para que os professores fossem mais valorizados e acumulassem mais aulas.
A demissão na Uniesp Faban foi determinada pela matriz da instituição, em São Paulo, na última quarta-feira. Os demitidos receberam os telegramas quatro dias depois. Os professores dizem que o texto não dava as razões do corte.
Sem se identificar, um dos demitidos reclamou que quem perde o emprego agora não consegue se colocar no mercado no segundo semestre, porque as outras sete instituições universitárias privadas da cidades já fecharam a programação.
Outra professora, que também pediu anonimato para não se "queimar" no mercado, disse que o grupo deve entrar com uma ação judicial contra a Faban.
"Demitir por telegrama, assim, faltando 20 dias para começar o outro semestre? Eu não fui contratada por telegrama", reclamou uma das professoras.
Especialista em políticas da educação superior, o professor Afrânio Mendes Catani, da USP de São Paulo, disse que o enxugamento de professores têm ocorrido em todo o país.
"Vemos que o ensino privado já atingiu um limite de absorção de novos alunos. Como isso, as faculdades estão reduzindo custos, o que acaba resultando na demissão de professores."
Para Catani, falta vontade política e rigor do governo federal ao autorizar a abertura de faculdades.
OUTRO LADO
Empresa afirma que o objetivo é realinhar custos O diretor-geral da Uniesp Faban em Ribeirão, Antonio Gallo, confirmou a demissão e disse que a ordem veio da matriz. "O critério foi o de realinhamento de custos". Ele disse que docentes serão contratados, mas não falou de salários. A assessoria de imprensa na capital disse que só hoje poderia comentar o caso.
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