Depois de uma disputa acirrada, o Grupo Abril anunciou na segunda-feira, 12, a compra do Anglo – rede de educação especializada em cursos preparatórios para o vestibular –, tornando-se a segunda maior empresa do setor no País, à frente do Objetivo e atrás apenas da Positivo. O grupo criado a partir dessa aquisição deve faturar este ano cerca de R$ 500 milhões. O valor do negócio não foi divulgado.
Único sistema de ensino de grande porte que permanecia sendo controlado integralmente pela família fundadora, o Anglo estava à venda havia dois anos. "Não porque a empresa passasse por dificuldades, mas porque, com a consolidação do setor, o Anglo só conseguiria crescer se unindo a um grande player", explica Ryon Braga, da Hoper Consultoria, especializada em educação.
Além do Grupo Abril, por meio da empresa Abril Educação, o Anglo foi disputado por pelo menos outros dois grupos. A britânica Pearson, empresa do segmento editorial e de informação digital, que controla o jornal Financial Times, chegou a fazer uma proposta. Há uma semana, uma reportagem do próprio jornal dizia que a rede brasileira estava sendo avaliada em R$ 600 milhões. Além do Anglo, o Pearson também já teria feito propostas por outras empresas brasileiras, como o Sistema Educacional Brasileiro (SEB), que controla escolas, oferece sistemas de educação e tem valor de mercado de R$ 715 milhões. A editora espanhola Santillana, com planos de expansão na América Latina, também estava entre os interessados no Anglo.
Nova empresa
O negócio anunciado na segunda envolve o Anglo Sistema de Ensino, o Anglo Vestibulares e a SIGA, empresa focada na preparação para concursos públicos. O grupo conta com unidades próprias e parcerias com escolas em todo o País – em que fornece material didático e metodologia de ensino.
O Anglo tem hoje 211 mil alunos em 484 escolas da rede privada em 316 municípios. Outros 38 mil alunos estão na rede pública, em 24 municípios. Os membros de uma das famílias fundadoras, Guilherme Faiguenboim e Assaf Faiguenboim, continuarão à frente das operações.
Todo o sistema Anglo foi adquirido pela Abril Educação, uma empresa que integra o Grupo Abril e é controlada integralmente pela família Civita. Até dois anos atrás, esse braço da companhia tinha a participação de um sócio estrangeiro – a Naspers, maior empresa de mídia da África do Sul, que adquiriu 30% das ações do Grupo em 2006. A família, no entanto, recomprou as participação acionária na Abril Educação em 2007.
A empresa controla as operações das editoras Ática e Scipione, ambas fortes no segmento pedagógico. Juntas, as editoras contam com um portfólio de 3,5 mil títulos, entre infantis, juvenis, atlas, dicionários e livros escolares. A Abril estreou no sistema de ensino com a rede SER, em 2007. Essa rede, semelhante à do Anglo, está em 350 escolas associadas, com 85 mil alunos.
As duas marcas continuarão operando independentemente. Segundo informações da Abril Educação, as duas redes não são concorrentes, já que o Anglo adota um esquema de franquia e a SER fornece apenas o material, sem atrelar a marca aos estabelecimentos associados.
Interesses
Em nota, Giancarlo Civita, representante dos controladores da Abril Educação, afirmou que "a transação reforça o compromisso da empresa com a melhoria da qualidade de ensino e seu comprometimento na área de educação". Segundo o comunicado, o negócio permitirá à empresa "fortalecer sua presença junto às redes pública e privada de ensino". E o objetivo, garante a Abril na nota, é alcançar a liderança do mercado.
O sistema Anglo foi criado em 1894, em São Paulo, pelo educador português Antônio Guerreiro. Na década de 30, foi lançado o primeiro curso preparatório para o vestibular da Universidade de São Paulo. Em 70, implementou a apostila caderno, gerando uma revolução no material didático brasileiro. Em seguida, passou a produzir material para o Ensino Fundamental e Educação Infantil.
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