Muitas vezes, independentemente da idade e da fase escolar, a lição de casa é um pesadelo para qualquer estudante. Passar boa parte do dia na escola e depois chegar em casa e se deparar com aquele monte de exercícios para fazer — em vez de ir brincar ou assistir à televisão — pode parecer desesperador. Mas ao contrário do que muitos pensam, o dever de casa pode se transformar em algo prazeroso, além de necessário.
A postura dos pais é fundamental para que os resultados da tarefa sejam positivos. Na fase pré-escolar, então, é praticamente uma obrigação acompanhar diariamente o que os filhos aprenderam. “A lição de casa tem como principal objetivo estabelecer o hábito do estudo. Já o professor deve enviar o dever depois que os alunos dominarem determinado assunto e, em casa, eles vão fazer tudo sozinhos. Assim, quando voltar para o professor, ele tem um retorno do que cada aluno absorveu da matéria ou o que não ficou muito claro”, diz a psicopedagoga Iara Almeida.
Segundo ela, o papel dos pais é mostrar a importância e ajudar, mas nunca fazer no lugar do filho na esperança de que vai ser melhor pra ele. “A tarefa de casa também não deve ser uma hora massacrante. Os pais tem que deixar os filhos fazerem outras coisas. Por isso o ideal é ter um horário fixo de no máximo uma hora para ele realizar as atividades”, disse a psicopedagoga.
Mesmo se cometer alguns erros, o aluno aprende com a lição de casa. Além disso, fica mais fácil descobrir em que exercício encontra mais dificuldade para pedir ajuda ao professor em sala de aula. “É até melhor que o aluno entregue a lição com erros do que não faça nada. Depois da lição, fica muito mais fácil o professor ajudar naquilo que o estudante tem maior dificuldade.”
Iara faz um alerta: “Se o aluno não quiser ou não conseguir fazer a lição de casa, é importante que os pais expliquem o problema ao professor. É possível que isso seja feito por meio de bilhete escrito no caderno da criança”, completou.
EXEMPLOS. Milena tem oito anos, cursa a 2ª série de uma escola pública e é a filha mais velha da empregada doméstica Lucivânia Maria dos Santos, de 28 anos. Apesar de nunca ter tido problema com as lições de casa da filha, ela disse que muitas vezes não consegue ajudar por não conhecer o assunto. “Tento estar sempre presente e cobro que ela faça o dever de casa. Mostro a realidade e a importância de estudar, de se esforçar na escola. Para ter um futuro melhor, ela precisa disso e, já que tem a chance, deve aproveitá-la da melhor maneira possível”, contou.
Já Lucivânia e o marido não terminaram a escola e querem que os filho não passem pelo que eles passaram. “Eu vou voltar a estudar no próximo semestre e o meu marido já voltou. Acho importante. Fico muito triste quando não sei explicar alguma coisa da lição para a minha filha. É decepcionante”, disse.
A estudante da 7ª série do ensino público Giovanna Donegá Capovilla, 13 anos, desde pequena já sabia da importância da lição de casa. Ela estuda de manhã e, no final da tarde, quase no horário da sua mãe chegar do trabalho, começa a fazer a tarefa justamente para ter a ajuda da sua mãe.
A DEFESA
“É comprovado que o aluno que faz a lição de casa tem melhor rendimento na escola. É mais fácil de assimilar o conteúdo ensinado quando se faz a atividade sozinho”, afirmou a psicopedagoga Iara Almeida, para defender o hábito do estudo no lar.
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