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Enem: reitores mantêm apoio mesmo com média baixa
Mário Boechat

As médias no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009, por escola, divulgadas pelo MEC este mês mostraram, mais uma vez, a distância entre a formação dos alunos da educação pública e do setor privado. Para se ter uma ideia, das mil escolas com média mais baixa do país, mais de 900 são de redes estaduais. Diante do quadro, uma das questões que surgiu foi se o Enem tem, realmente, condições de promover um ingresso maior de alunos da rede pública nas universidades federais ou estaduais que usam a nota como substituto de seus vestibulares. E, até que ponto, as instituições estariam dispostas em manter a prova nacional em suas seleções de calouros. Apesar do péssimo resultado apresentado pelas escolas estaduais, o reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), professor Fernando Gusmão, ainda apoia a avaliação do Ministério da Educação (MEC). Para ele, vale a pena manter o exame como forma de ingresso nas universidades públicas. No entanto, o reitor critica a postura do estado do Rio.

"É uma medida necessária para tentar chegar a uma qualidade de ensino. Existe, por parte do estado, que é responsável pelo nível médio, um processo tão moroso a respeito disso, um desincentivo em termos de qualidade de ensino, e acaba apenas cumprindo etapas. Na verdade, isso não está gerando benefícios a ninguém. Fica essa política se arrastando por tanto tempo e não se vê melhoras", declara o dirigente. O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto Salles, também garante apoio à permanência do Enem como substituto ao vestibular tradicional e revela que algumas instituições oferecem bonificação para estudantes da rede pública. No entanto, ele explica que é preciso os estados e municípios se movimentarem para oferece educação de qualidade.

"O Enem baliza para cima e faz com que haja um estímulo. Dessa forma, os municípios e os estados precisam se movimentar. A questão da Educação não é só na esfera federal, na qual as universidades estão formando professores de Matemática, Química, Física, que não havia em grande quantidade e excelência. Os municípios e estados têm de fazer a parte deles. Muitas escolas não têm a estrutura necessária e isso não é culpa do governo federal", opina. Fernando Gusmão afirma ainda que não é necessária a aplicação de políticas afirmativas para estudantes da rede pública, pois, com investimento na qualidade de ensino, os alunos teriam condições de ingressar nas universidades.

"Se melhorar a qualidade do ensino, os estudantes da rede pública, principalmente da estadual, que obtiveram o pior desempenho, terão acesso à universidade pública. Mas se não fizer nada para que isso aconteça, não terá nada. Apenas a continuação de uma política que está sendo feita de uma maneira errada. Ou talvez desinteressada. Sabemos a fórmula do sucesso, só não querem isso por uma série de questões. Tem que ser uma política contínua, que tenha começo, meio e fim. Fica um arremedo de política, ninguém, na verdade, se debruça a respeito de uma política correta", garante o reitor. Fernando Gusmão acredita que o Enem tende a democratizar o ensino, mas que é preciso o investimento dos governos. "Há exemplos favoráveis, casos de sucesso. Basta mirar no que tem como objetivo principal e correr atrás", finaliza.
Folha Dirigida, 27/07/2010 - Rio de Janeiro RJ
   
 

 

 
 
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