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De acordo com as teses do sociólogo francês Michael Foucault, a arte de governar abrange questões que tangenciam a esfera do poder, seu significado e suas consequências. Assim, em sua visão, o poder é instituído da massa para as autoridades, criando a imagem social de um castelo de cartas no qual, sem a base, o topo não conseguiria manter-se.

Sustentando os ideais do francês, em sua obra "A Revolução dos bichos", George Orwell explora a temática ao relatar uma sociedade animal em que, por opção dos próprios bichos, o poder é atribuído àqueles considerados mais capacitados para governar. Com o passar do tempo nota-se que a nomeação fez-se precipitada, mas comprova o poder sendo instituído a partir da predileção comum, visando à concentração desse. Cria-se o chamado Estado democrático.

Outrossim, Orwell aborda também, em "1984", a manutenção do poder centralizado ao retratar a força repressora de um Estado Totalitário. Nesse cenário, a base do castelo funcionaria unicamente com um alicerce para o insustentável topo, único com capacidades de argumentação e que, portanto, manter-se-ia continuamente em sua posição, até que os oprimidos exaurissem suas insatisfações e buscassem mudanças no sistema hierárquico, como na Revolução Francesa de 1979.

Nesse prisma, a complexidade das questões bem como a impossibilidade das recorrentes respostas simplistas retoma a ótica de Foucault. Embora, em síntese, o estruturalista afirme a irradiação do poder de baixo para cima, esse também enaltece o caráter de caos isolados e subversivos, abrindo precedentes para a constante reflexão acerca da indagação. Dessa forma, em vieses particulares, governos ditatoriais e em algumas instituições de estamento. No entanto, de forma predominante, o panorama instaurado demonstra como cada indivíduo abnega de seu poder direto para depositá-lo à outrem sendo, enfim, instituído de baixo ao topo.

Daniela Miranda Camargos
Criar Franca